Tomar consciência de um
comportamento é importante para que ele seja repetido ou descartado.
Consciência e saúde deveriam caminhar juntas, mas nem sempre isto ocorre, é
comum alguém ter consciência de um comportamento é autodestrutivo e se sentir
impotente diante da possibilidade de abandoná-lo. Freud criou um conceito para descrever o fenômeno: repetição compulsiva, que depois evoluiu para o instinto de morte. Quando
refletimos sobre a dinâmica esquizóide, podemos compreender porque algumas
pessoas apresentam dificuldade em abandonar o que elas fazem de mal para
si.
A cisão na personalidade
esquizóide não permite que ele integre algumas experiências prazerosas, isto
transforma algo bom em ruim, que não pode ser suportado, e ameaça a estabilidade
de quem vive com pouca energia para não viver o medo que se esconde sob a
superfície. O prazer expande o organismo porque intensifica a respiração e
facilita movimentos espontâneos, algo ameaçador para o esquizóide que não
conhece uma espontaneidade desprovida de medo, que aterroriza a sua consciência
e inibe suas escolhas.
Diante destas pessoas, podemos
ter a impressão que seu sofrimento vem da incapacidade de abandonar estes
comportamentos destrutivos, porém, é seu sofrimento que gera esta
incapacidade. O conhecido sentimento de medo não permite que o prazer seja
integrado, e se torne referência para a experiência de novas situações, seu
corpo cindido faz com que ele fique incomodado diante de uma nova experiência
agradável:
“O fato de pessoas serem
autodestrutivas indica a presença de uma força na personalidade que dissipa a
energia vital do organismo. Tal força antivida aparece na personalidade
esquizóide, mas é o resultado direto da cisão esquizóide, e não a sua causa.”
(p. 99)
A falta de conexão com as pernas, faz com que ele não consiga suportar o novo fluxo de energia, nesta lógica, a conexão com o chão é angustiante e dificulta a possibilidade do grounding acontecer. Insistir, brigar e forçar não acolhem
quem já se sente isolado, é preciso sentir seu sofrimento e compreender sua
dificuldade, o que pode ajudar ele a tomar posse de sua identidade e
transformá-la no futuro. Reprovar faz com que ele caia na solidão que busca
evitar, ampliando seu sentimento de medo e paralisando ainda mais seus desejos
e o seu corpo.
Referência bibliográfica:
- Alexander, LOWEN (1967). O corpo traído. 6a Ed.
Summus: São Paulo, 1979.
0 comentários:
Postar um comentário